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The Lone Ranger
Por: Luiz Antonio Sampaio
Colaboração: Kemo Sabi
Texto extraído da revista Calafrio 42

A fantasia é gostosa, agradável, cativante. A realidade é feia, amarga, decepcionante. Por isso as narrativas sobre o Velho Oeste americanos preferiram seguir a trilha da fantasia. Nela, a verdadeira história de um povo e de um lugar pode ter uma roupagem nova, bonita, elegante. É a lenda prevalecendo largamente sobre a realidade. E assim, as histórias de faroeste, seja qual for a mídia (cinema, TV, quadrinhos, literatura), em sua maioria, sempre preferiram falsear a realidade. Exemplo típico disso é The Lone Ranger.

A história desse famoso herói mascarado começou sem qualquer visualização precisa. The Lone Ranger surgiu como novela de rádio. Mas antes de continuar, parêntesis. recuso-me a usar a palavra "Zorro" para The Lone Ranger, trata-se de um nome estúpido e sem propósito, criação de editores e tradutores nossos, Zorro é outro personagem totalmente diferente. Como dizia, The Lone Ranger surgiu apenas para ser ouvido e não visto. Foi uma criação de George W. Trendle, proprietário de uma estação de rádio de Detroit, e do escritor de pulps Fran Striker. Foi ao ar, pela primeira vez, no dia 30 de janeiro de 1933, com episódios de meia hora de duração, três vezes por semana. E foi um sucesso imediato. Cavalgou pelo rádio, sempre sob o som da protofonia de Willianm Tell (Guilherme Tell), até 3 de setembro de 1954.

A saga do conhecido herói começou quando seis rangers do Texas, comandados pelo Capital Dan Reid, foram emboscados por Butch Cavendish e sua quadrilha. Todos os rangers morreram, exceto o irmão mais moço do capitão, que foi salvo pelo índio Tonto, a quem, anos atrás, salvara a vida. Tonto cavou seis sepulturas (uma ficou vazia) e Jhon Reid vestiu uma máscara e partiu, em companhia do índio, atrás de Cavendish e de qualquer outro fora-da-lei, nascendo assim a lenda de The Lone Ranger. Na sepultura vazia ficara a identidade de Jhon Reid, que a partir de então sempre estaria usando a sua máscara, não tendo mais uma identidade sem ela. Ele era apenas e sempre The Lone Ranger

Trendle era um homem com visão para negócios. Quando percebeu que The Lone Ranger era uma propriedade rendosa, tratou de criar o "The Lone Ranger Inc." uma empresa de merchandise para explorar o nome e a figura do herói mascarado de todas as formas. Surgiram então revólveres, brinquedos diversos, roupas, livros e muitos outros objetos levando o nome de The Lone Ranger. Era uma forma fácil de se ganhar muito dinheiro e quando mais se vendiam os produtos , mais o nome e a fama de The Lone Ranger se espalhavam. Thendle tinha um prato cheio pela frente. E assim não deixou escapar a oportunidade de vender The Lone Ranger para o cinema.

Lançado em 1938. como seriado de 15 episódios, The Lone Ranger foi então visualizado pela primeira vez. com Lee Powell no papel do herói título e Chief Thundercloud como Tonto, a produção não refletiu o mesmo espírito das novelas radiofônicas. No ano seguinte um novo seriado - The Lone Ranger Rides Agains, desta vez com Robert Livingston e novamente outra fuga ao original. Ambos os seriados acabaram dando uma concepção própria ao personagem.

Mas foi a vontade de aumentar a conta bancária que levou Tendle a ter a feliz idéia de criar uma história em quadrinhos de The Lone Ranger, para publicação em jornal, em forma de tiras diárias e páginas dominicais em cores. O título fez sua estréia em setembro de 1938, escrito pelo mesmo Fran Striker e desenhado por Ed Kresssy. A escolha do desenhista, no entanto não foi nada feliz. Kressy era bastante inábil e não conseguia acertar seus desenhos de acordo com aquilo que o personagem merecia e os leitores esperavam. Seu trabalho deve ter desagradado muito, pois logo foi substituído por outros desenhistas. O nome de Kressy continuou na historieta, mas ficou evidente a mudança de mãos que manejavam os pincéis. Dessa infeliz fase inicial de The Lone Ranger, Jon Blummer pareceu ter sido o desenhista mais capaz.

O personagem era promissor nessa nova mídia, mas esses meses de abertura suas cavalgadas pelos jornais quase representaram o seu total fracasso. O que salvou The Lone Ranger foi a entrada de um novo e competente desenhista. Quando o King Features percebeu que as coisas não estavam indo bem com a historieta, o que fatalmente a levaria a um fim bastante prematuro, procurou entre seu pessoal um nome capas de dar realmente vida a The Lone Ranger nas histórias em quadrinhos. O artista escolhido foi Charles Flanders, que já tinha trabalhado em "Robin Hood", "Secret Agent X-9" e "King of the Royal Mounted", além de outros trabalhos anônimos para o sindicato.

Logo nas primeiras semanas de 1939 Charles Franders já estava trabalhando em The Lone Ranger. Trazendo consigo alguns anos de experiência na prancheta de desenho, e sendo inegavelmente um artista de talento, Flanders mudou completamente o panorama do título. E assim, The Lone Ranger, daquela apatia visual anterior, passou a uma historieta bonita, elegante, dinâmica, viva. Finalmente The Lone Ranger conseguia cavalgar de cabeça erguida nas histórias em quadrinhos. Os leitores gostaram, aplaudiram e mantiveram a histórieta circulando pelos jornais até 1971 (foi a cavalgada mais longa de um western pela tiras diárias e páginas dominicais.

Mas nem tudo correu bem com The Lone Ranger e Flanders. Sem dúvida, foi uma longa vida pelos jornais americanas e de diversos países - 33 anos. Mas foi uma trajetória bastante desigual, caracterizando por pontos altos e baixo, momento bons e maus, uma historieta que hoje é lembrada tanto pelos dias de esplendor como pelos de grande mediocridade. Flanders era um desenhista competente, mas tinha falhas. Falhas que foram aparecendo com o passar dos anos e empobrecendo o visual de The Lone Ranger. o cenário de uma historieta deve ser rico e exuberante, repleto das inúmeras paisagens que caracterizavam o velho oeste, mas Flanders nunca soube retratar isso. Umas poucas árvores e uma montanha distante apenas delineada, eram o backfround quase constante apresentado por ele.

The Lone Ranger em ação: desenhos de Charles Flanders