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A fantasia é gostosa, agradável, cativante. A
realidade é feia, amarga, decepcionante. Por isso as
narrativas sobre o Velho Oeste americanos preferiram
seguir a trilha da fantasia. Nela, a verdadeira
história de um povo e de um lugar pode ter uma roupagem
nova, bonita, elegante. É a lenda prevalecendo
largamente sobre a realidade. E assim, as histórias de
faroeste, seja qual for a mídia (cinema, TV,
quadrinhos, literatura), em sua maioria, sempre
preferiram falsear a realidade. Exemplo típico disso é
The Lone Ranger. |
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A história desse famoso herói mascarado começou sem
qualquer visualização precisa. The Lone Ranger surgiu
como novela de rádio. Mas antes de continuar,
parêntesis. recuso-me a usar a palavra
"Zorro" para The Lone Ranger, trata-se de um
nome estúpido e sem propósito, criação de editores e
tradutores nossos, Zorro é outro personagem totalmente
diferente. Como dizia, The Lone Ranger surgiu apenas
para ser ouvido e não visto. Foi uma criação de
George W. Trendle, proprietário de uma estação de
rádio de Detroit, e do escritor de pulps Fran Striker.
Foi ao ar, pela primeira vez, no dia 30 de janeiro de
1933, com episódios de meia hora de duração, três
vezes por semana. E foi um sucesso imediato. Cavalgou
pelo rádio, sempre sob o som da protofonia de Willianm
Tell (Guilherme Tell), até 3 de setembro de 1954. |
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A saga do conhecido herói começou quando seis rangers
do Texas, comandados pelo Capital Dan Reid, foram
emboscados por Butch Cavendish e sua quadrilha. Todos os
rangers morreram, exceto o irmão mais moço do capitão,
que foi salvo pelo índio Tonto, a quem, anos atrás,
salvara a vida. Tonto cavou seis
sepulturas (uma ficou vazia) e Jhon Reid vestiu uma
máscara e partiu, em companhia do índio, atrás de
Cavendish e de qualquer outro fora-da-lei, nascendo
assim a lenda de The Lone Ranger. Na sepultura vazia
ficara a identidade de Jhon Reid, que a partir de então
sempre estaria usando a sua máscara, não tendo mais
uma identidade sem ela. Ele era apenas e sempre The Lone
Ranger |
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Trendle era um homem com visão para negócios. Quando
percebeu que The Lone Ranger era uma propriedade
rendosa, tratou de criar o "The Lone Ranger
Inc." uma empresa de merchandise para explorar o
nome e a figura do herói mascarado de todas as formas.
Surgiram então revólveres, brinquedos diversos,
roupas, livros e muitos outros objetos levando o nome de
The Lone Ranger. Era uma forma fácil de se ganhar muito
dinheiro e quando mais se vendiam os produtos , mais o
nome e a fama de The Lone Ranger se espalhavam. Thendle
tinha um prato cheio pela frente. E assim não deixou
escapar a oportunidade de vender The Lone Ranger para o
cinema. |
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Lançado em 1938. como seriado de 15 episódios, The
Lone Ranger foi então visualizado pela primeira vez.
com Lee Powell no papel do herói título e Chief
Thundercloud como Tonto, a produção não refletiu o
mesmo espírito das novelas radiofônicas. No ano
seguinte um novo seriado - The Lone Ranger Rides Agains,
desta vez com Robert Livingston e novamente outra fuga
ao original. Ambos os seriados acabaram dando uma
concepção própria ao personagem. |
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Mas foi a vontade de aumentar a conta bancária que
levou Tendle a ter a feliz idéia de criar uma história
em quadrinhos de The Lone Ranger, para publicação em
jornal, em forma de tiras diárias e páginas dominicais
em cores. O título fez sua estréia em setembro de
1938, escrito pelo mesmo Fran Striker e desenhado por Ed
Kresssy. A escolha do desenhista, no entanto não foi
nada feliz. Kressy era bastante inábil e não conseguia
acertar seus desenhos de acordo com aquilo que o
personagem merecia e os leitores esperavam. Seu trabalho
deve ter desagradado muito, pois logo foi substituído
por outros desenhistas. O nome de Kressy continuou na
historieta, mas ficou evidente a mudança de mãos que
manejavam os pincéis. Dessa infeliz fase inicial de The
Lone Ranger, Jon Blummer pareceu ter sido o desenhista
mais capaz. |
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O personagem era promissor nessa nova mídia, mas esses
meses de abertura suas cavalgadas pelos jornais quase
representaram o seu total fracasso. O que salvou The
Lone Ranger foi a entrada de um novo e competente
desenhista. Quando o King Features percebeu que as
coisas não estavam indo bem com a historieta, o que
fatalmente a levaria a um fim bastante prematuro,
procurou entre seu pessoal um nome capas de dar
realmente vida a The Lone Ranger nas histórias em
quadrinhos. O artista escolhido foi Charles Flanders,
que já tinha trabalhado em "Robin Hood",
"Secret Agent X-9" e "King of the Royal
Mounted", além de outros trabalhos anônimos para
o sindicato. |
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Logo nas primeiras semanas de 1939 Charles Franders já
estava trabalhando em The Lone Ranger. Trazendo consigo
alguns anos de experiência na prancheta de desenho, e
sendo inegavelmente um artista de talento, Flanders
mudou completamente o panorama do título. E assim, The
Lone Ranger, daquela apatia visual anterior, passou a
uma historieta bonita, elegante, dinâmica, viva.
Finalmente The Lone Ranger conseguia cavalgar de cabeça
erguida nas histórias em quadrinhos. Os leitores
gostaram, aplaudiram e mantiveram a histórieta
circulando pelos jornais até 1971 (foi a cavalgada mais
longa de um western pela tiras diárias e páginas
dominicais. |
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Mas nem tudo correu bem com The Lone Ranger e Flanders.
Sem dúvida, foi uma longa vida pelos jornais americanas
e de diversos países - 33 anos. Mas foi uma trajetória
bastante desigual, caracterizando por pontos altos e
baixo, momento bons e maus, uma historieta que hoje é
lembrada tanto pelos dias de esplendor como pelos de
grande mediocridade. Flanders era um desenhista
competente, mas tinha falhas. Falhas que foram
aparecendo com o passar dos anos e empobrecendo o visual
de The Lone Ranger. o cenário de uma historieta deve
ser rico e exuberante, repleto das inúmeras paisagens
que caracterizavam o velho oeste, mas Flanders nunca
soube retratar isso. Umas poucas árvores e uma montanha
distante apenas delineada, eram o backfround quase
constante apresentado por ele. |
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| The Lone
Ranger em ação: desenhos de Charles Flanders |
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